sábado, 17 de março de 2012

Tanto Deus amou o mundo que enviou o seu Filho – IV Domingo da Quaresma

“Alegra-te Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Cf. is 66, 10-11). Com essas palavras do profeta Isaías, a liturgia de hoje exorta os fiéis a experimentarem esse IV Domingo da Quaresma, denominado Domingo Laetare ou Domingo da Alegria. Alegremo-nos porque, nós que choramos os nossos pecados, a nossa ingratidão para com o amor gratuito de Deus, encontraremos consolação quando o Filho do Homem for levantado da terra no madeiro da cruz (cf. Jo 3, 14s).
De fato, Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho não para condená-lo, mas para salvá-lo (cf. Jo 3, 17). Foi para isso que Deus nos criou: para a comunhão com Ele, por meio de Jesus Cristo. Mesmo com o pecado, com a negação reiterada do homem ao amor de Deus, Ele continuou nos amando, nos ofertando seu aconchego de Pai. “E quando nós estávamos mortos por causa das nossas faltas, Ele nos deu a vida com Cristo” (Ef 2, 5a).
Essa vida é a vida imperecível, aquela na qual Jesus será revestido pelo Espírito na Ressurreição. É essa vida que Jesus compartilhou conosco, e tudo isso por graça. Por isso o Apóstolo irá dizer: “É por graça que vós sois salvos” (Ef 2,5b).
Porém, s. João nos vai recordar que a oferta de Deus em Jesus pode ser rejeitada: “a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações são más” (Jo 3,19). O pecado pode nos tornar insensíveis a ação de Deus. Ora, não foi essa a atitude de Israel apresentada em 2Cr 36, 15s: “O Senhor Deus de seus pais dirigia-lhes frequentemente a palavra por meio de seus mensageiros (...) Mas eles zombavam dos enviados de Deus, desprezavam as suas palavras”.
No entanto, ninguém pode fechar-se ao amor de Deus que é luz, sem sofrer as consequências. Israel perdeu sua terra, foi levado cativo. Foi preciso Israel chorar suas culpas às margens dos rios da Babilônia (cf. Sl 136, 1) para redescobrir o valor do amor de Deus. E o reencontrou porque Deus vem sempre ao nosso encontro. E Ele veio definitivamente ao nosso encontro no seu Filho Jesus. Nesse caminho quaresmal redescubramos o amor de Deus, reavivemos essa experiência e ajamos conforme a verdade, aproximando-nos da luz, e, assim, manifestemos que as nossas ações são realizadas em Deus (cf. Jo 3, 21).

segunda-feira, 12 de março de 2012

Afinal, o que elas e eles querem?

Nesses últimos dias, um grupo de lésbicas e de outras minorias, conseguiu, junto à justiça gaúcha, o direito de ver retirado dos tribunais os crucifixos. Vitória do relativismo religioso, derrota do cristianismo católico, tão caro ao povo brasileiro.
Diante de tal fato é inevitável perguntar: o que querem essas lésbicas e as demais minorias? Sejamos sinceros, esses grupos querem ardentemente impor sua visão de mundo aos outros. Uma compreensão de mundo sem referências religiosas, que desrespeita a história da fé da maioria de um povo. Um modo de ver a realidade sem valores universais e sólidos.
Que esses grupos desejem ver os seus direitos de cidadãos brasileiros assegurados é compreensível. Mas querer alcançá-lo usurpando o direito dos outros, agindo da mesma forma agressiva e rancorosa da qual muitas vezes foram vítimas, não é o caminho.
Mas, outro questionamento, inevitavelmente, aqui se impõe: por que um grupo capitaneado por lésbicas lutam exatamente pela retirada de crucifixos? Embora recorram à laicidade do estado e ao tratamento paritário das expressões religiosas, tais grupos estão em briga mesmo é com o cristianismo, de um modo particular com o catolicismo.
Mas, afinal, o que tem a ver o crucifixo presente nas repartições públicas com as lutas de lésbicas e homossexuais? Influência sobre o judiciário? Caso o argumento seja este, é subestimar a imparcialidade do judiciário brasileiro, quiçá uma ofensa.
Talvez o crucifixo incomode não por ser um simples símbolo do catolicismo. Ele perturba porque recorda a todos que a vida é séria demais para se levar na leviandade. O Cristo foi a expressão mais concreta da obediência que levou à plenitude valores que tornam a vida coerente, justa e santa aos olhos de Deus.
Ou cremos e aderimos a tais valores, ou o nosso coração e o coração da nossa cultura tornam-se um caos, sem referências seguras. Os cristãos não chamam de bem o que Deus chamou de mal, não chamam de vida o que Deus considerou morte. Não temos esse direito. Portanto, seja qual for a minoria, deve respeitar o modo de crer e de viver dos cristãos católicos e o seu direito de expressão na sociedade na qual vivem.
É preciso dizer um grande não à retirada de crucifixos e demais símbolos religiosos. Não podemos nos tornar reféns da visão relativista de certos grupos.

sábado, 3 de março de 2012

II Domingo da Quaresma - Ano B: "E transfigurou-se diante deles" (Mc 9,2)

Na primeira leitura desse domingo, extraída do livro do Gênesis, Deus pede a Abraão seu filho Isaac em sacrifício. O filho desejado por tantos anos, recebido como um dom, agora é solicitado em holocausto: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá, e oferece-o aí em holocausto sobre o monte que eu te indicar” (Gn 22,2). Podemos imaginar a angústia de Abraão ao escutar esse pedido de Deus. Como pode Deus pedir tal sacrifício e com que finalidade?
Em nosso caminho quaresmal também somos chamados ao sacrifício da fé, à exemplo de nosso pai Abraão. Quais os “Isaacs” precisamos sacrificar? Abraão não hesitou, creu, e Deus lhe poupou o Filho. Deus não queria o sacrifício humano, mas o sacrifício de um coração capaz de se dilatar até aos extremos para que Deus possa selá-lo com o seu amor. Por sua fidelidade, Abraão é abençoado e terá uma descendência numerosa como as estrelas do céu e como as areias do mar (cf. Gn 22,18). Quem doa tudo a Deus, quem é capaz de se mortificar, receberá de Deus a sua própria vida. E esse Deus, como nos diz s. Paulo, ao doar o seu Filho, entregando-o por todos nós, deu-nos junto com Jesus Cristo (cf. Rm 8,31b-32).
Os exercícios quaresmais da penitência, da esmola e do jejum ajudam-nos a fazer o caminho do sacrifício da fé. O esvaziamento de nós mesmos, de nossas limitações e fraquezas, encher-nos-ão dos dons de Deus, na solene festa da Páscoa, transfigurando-nos em homens novos.
O evangelho desse domingo aponta-nos essa realidade. Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João e leva-os a uma alta montanha e ali se transfigura (cf. Mc 9,2). Jesus antecipa a olhos desses três discípulos a glória que está reservada a todos os cristãos. A finalidade dessa antecipação é justamente afastar o medo da cruz, indicando que o sacrifício é o caminho para a Vida Nova em Cristo. O destino de todo o cristão é a glorificação, a vida plena no Espírito Santo.
A magnitude dessa vida que nos aguarda escapa à nossa realidade humana. Essa grandeza é expressa por isso S. Marcos, quando diz que as roupas de Jesus ficaram brilhantes e brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar (cf. Mc 9,3). Hoje podemos dizer com as palavras de s. Paulo, “o que os olhos não viram, os ouvidos não viram e o coração do homem não percebeu, tudo o que Deus preparou para os que o amam”, Ele nos revelou na transfiguração de Jesus.
Guardemos a fé nessa quaresma, diante do sofrimento e da renúncia (cf. Sl 115), para que possamos gozar das alegrias pascais desse ano, e, um dia, da glória eterna, onde seremos plenamente revestidos de Cristo.

As "sugestões litúrgicas" que destroem a liturgia" I

Qual terá sido a "sugestão litúrgica desta celebração? Melhor nem pensar...


No Brasil, alguns subsídios litúrgicos, infelizmente, oferecem “sugestões criativas” para a celebração da Santa Missa. Tais ideias não fazem parte da celebração eucarística, segundo a Sacrossanctum Concilium (SC), constituição conciliar dobre a liturgia do Vaticano II, a Inrodução Geral ao Missal Romano (IGMR) e as Normas para o Ano Litúrgico e Calendário (NALC). Portanto, não se deve segui-las, a não ser que se queira desvirtuar ou destruir a Sagrada Liturgia. Liturgia não se inventa, celebra-se aquilo que recebemos do patrimônio da Igreja, com sacralidade e respeito. A única sugestão que deveria valer para todos é compreender e adentrar no espírito da celebração da Eucaristia.
Abaixo apresento “as sugestões" que os subsídios sugerem para este II Domingo da quaresma, dia 04 de março, seguido do comentário com a palavra oficial da Igreja e algumas palavras nossas.
a) "Continuar destacando a cruz".
Comentário: “Haja também sobre o altar ou em torno dele uma cruz, ornada com a imagem do Cristo crucificado. Os castiçais e a cruz, ornada com a imagem do Cristo crucificado, podem ser trazidos na procissão de entrada..” (IGMR, 117). São as palavras oficiais da Igreja quando se trata da cruz na celebração da Eucaristia. Há ainda outras, no mesmo sentido. Fora isso, é invencione de liturgistas. Quando se sugere “continuar dando destaque” a algo que pela estrutura orgânica da celebração já tem o seu espaço, só podemos imaginar uma cruz enfeitada de fitas coloridas... E isso é preferível nem comentar...
b) "Após a saudação inicial, fazer a recordação da vida, lembrando as realidades que precisam ser transfiguradas".
Comentário: “Em seguida, o sacerdote convida para o ato penitencial, que, após, breve pausa de silêncio, é realizado por toda a assembleia através de uma fórmula de confissão...” (IGMR, 51). Palavra da Igreja. Ato Penitencial é o reconhecimento dos pecados pessoais e clamor à misericórdia divina. Quando se fala em “recordação da vida, lembrando as realidades que precisam ser transfiguradas”, sentimos o cheiro daquela velha cantilena que culpabiliza os cristãos pelos males do mundo. Não caiam nessa! A primeira realidade a ser transfigurada somos nós mesmos, em Cristo Jesus na potência do seu Espírito Santo!
c) "Neste dia (...) é importante valorizar o silêncio..”
Comentário: “Oportunamente, como parte da celebração, deve-se observar o silêncio sagrado. A sua natureza depende do momento em que ocorre em cada celebração. Assim, no ato penitencial e após o convite à oração, cada fiel se recolhe; após uma leitura ou a homilia, meditam brevemente o que ouviram; após a comunhão, enfim, louvam e rezam a Deus no íntimo do coração...” (IGMR, 45). É o que se encontra no Missal Romano. O silêncio faz parte da estrutura orgânica da Missa. Quando se sugere a valorização do silêncio, é porque ele não está sendo observado, talvez porque a mesma pessoa ou grupo que agora sugeriu valorizar o silêncio, sugeriu anteriormente perturbar a celebração com cartazes, destaques para a cruz e excesso de comentários.

sexta-feira, 2 de março de 2012

É preciso revisitar o Ocidente

Com certa frequência, aparecem, nos diversos veículos de comunicação, matérias sobre a cultura dos países orientais. Nestas, observa-se certo fascínio dos repórteres e apresentadores, que, não poucas vezes, fazem um contraponto com a cultura Ocidental. A primeira seria mais equilibrada, mais atenta ao interior do ser humano. A segunda seria exageradamente racional.
E lastimável a ignorância recrudescente da civilização ocidental sobre si mesma. Dos intelectuais aos mais incautos cidadãos, há um desconhecimento das bases da própria cultura. E isso tem conseqüências graves: um povo que não mais sabe de onde veio, quais as suas referências, encanta-se com qualquer bobagem.
Se o mundo caminha nesse progresso - descontada as mazelas de sempre -, deve-se ao espírito empreendedor e visionário do homem ocidental, impregnado de ideias e valores basilares ao desenvolvimento humano.
E como esse espírito é possível? Os valores constituintes do ethos da cultura do sol poente encontram os seus alicerces na cultura e religião judaicas. Em meio aos mitos politeístas dos povos vizinhos, Israel vai alcançar uma visão do homem fundamentada na sua relação livre com Deus. A dignidade do ser humano reside na sua capacidade inata de livremente assumir as suas escolhas. Por isso o tempo para os semitas não é cíclico, condenando os homens a viverem os mesmo erros, mas uma realidade que caminha rumo a um ponto final, onde o ser humano constrói, na liberdade, sua existência de uma maneira sempre nova.
Assumidos pelo cristianismo e levados ao seu pleno significado, esses valores irão se encontrar com o mundo helênico, berço da filosofia. Há, então, o encontro entre valores cristãos e pensamento grego. Esse enlace dura toda a idade Média, enquanto vigorar a cristandade.
Com a revolução francesa - cujo lema faz ecoar valores judaico-cristãos, liberdade, igualdade, fraternidade- e o iluminismo, afirma-se a autonomia da razão. Embora com prejuízo do preconceito em relação à história anterior, as ideias iluministas nada mais são do que a secularização dos valores enraizados no Ocidente.
Se hoje o Ocidente é a cultura dos direitos inalienáveis da pessoa humana, da democracia, da liberdade, deve a esse caminho. Revisitá-lo é fundamental. Caso contrário, ficaremos encantados com os mitos orientais, superados há milênios pelo povo judeu. É melhor enlevar-se com uma cultura cuja divindade respeita a razão humana, estabelecendo com ela um diálogo livre e impulsionando-a para um futuro sempre promissor.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A beleza de ser de Deus

A imagem acima é de uma beleza surpreendente. Primeiramente mostra o quanto a Igreja sempre - e nunca o fez de outra forma - foi inclusiva. A vida religiosa feminina contemplativa e apostólica sempre foi querida e teve o seu lugar na caminhada cristã. As insígnias que as abadessas presentes nesta foto portam, anel, cruz peitoral e báculo pastoral são sinais da sua dignidade prelatícia, a mesma dos bispos e abades. Sim, na sua jurisdição - abadias-, essas mulheres detém autoridade semelhante aquela do bispos em suas respectivas dioceses. E há vozes - aquelas do infâme politicamente correto - que ainda dizem que na Igreja não há espaço para as mulheres. Paciência... toda ignorância será perdoada.

Mas a presente imagem também recorda a beleza de ser de Deus e de transparecer essa realidade por meio dos sinais exteriores. Somos seres simbólicos. O símbolos nos falam muito. Como é bonito ver religiosas com o seu hábito, com as suas insígnias sem medo de se ser felizes. Há quem recorra - a mesma voz satânica do politicamente correto - ao velho ditado segundo o qual o hábito não faz o monge. É algo possível. Mas o hábito - ou a ausência dele - diz muito da experiência que cada consagrado fez da beleza de ser de Deus.

Corpos para o Senhor

Sempre que nos deparamos anualmente com programas televisivos como o Big Brother Brasil é inevitável fazermos uma pergunta, para muitos incômoda ou desnecessária. Qual a dignidade do ser humano? Especificamente, qual o valor de seu corpo, veículo da manifestação dos seus sentimentos e pensamentos mais profundos? A fé cristã aponta-nos um caminho...
O cristianismo não se trata de um cumprimento frio de normas exteriores. A experiência com Cristo, nosso encontro pessoal e único com Ele, deve gerar em nós um modo de ser, um ethos.
Expressão privilegiada desse ethos cristão é a nossa corporalidade. Entendemos corporalidade aqui como toda dimensão humana expressa em nosso corpo material. Para os cristãos essa corporalidade é para o Senhor e não para a fornicação (cf. 1Cor 6,13).
E o que é a fornicação? São todos os atos contrários ao projeto de Deus revelado por Cristo no âmbito da afetividade e da sexualidade. E são contrários a tal projeto porque a fornicação desfigura no homem a sua dignidade, a imagem divina nele inscrita.
Olhemos as pessoas que nos circundam, contemplemos a beleza divina expressa na simetria de seus corpos. São esses corpos instrumentos pelos quais expressamos nosso amor, nossa dor, nossa gratidão. Através do corpo, tornamo-nos próximos um dos outros. Assumindo um corpo, Deus nos redimiu.
No entanto, quanta desfiguração do humano! Quanta baixeza em nome de uma liberdade sexual! O corpo que deveria ser meio de crescimento humano, torna-se objeto de prazer.
Uma das heranças da fé católica para a nossa civilização ocidental foi o conceito de pessoa. Das reflexões sobre a Santíssima Trindade, nos primeiros séculos, brotou a ideia de pessoa e sua dignidade. E isso foi uma novidade na antiguidade, carente de tais conceitos. E o que vemos hoje? O retorno à antiguidade de outrora, pagã e desprovida do mínimo de humanidade.
Para nós cristãos o corpo expressa a beleza divina. E, pelo batismo, o corpo passa a ser não somente expressão, mas habitação da beleza divina, habitação do Espírito Santo de Deus. Talvez tais reflexões para alguns pareçam anacrônicas. Mas paciência. Os cristãos não podem deixar de recordar para si mesmos e para o mundo: os nossos corpos são para o Senhor e não para a fornicação; somente assim salvaremos a nossa própria humanidade.

O Papa e a cultura sem religião

No já distante dia 09 de janeiro do ano em curso, na alocução dirigida ao corpo diplomático na Santa Sé, o Papa Bento XVI reafirmou que a família fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher não se trata de uma simples convenção social, mas é a célula fundamental de toda sociedade. E que toda política que atenta contra a família ameaça a dignidade e o futuro da humanidade.
Não há nada de novo nas palavras do Sumo Pontífice. No entanto, foi noticiado pela agência Reuters e reproduzido nos demais veículos de comunicação que o Papa haveria dito que o casamento homossexual era uma das várias ameaças à família, pondo em risco o futuro da humanidade.
Não é preciso dizer o quanto as palavras do Santo Padre foram distorcidas e manipuladas. Basta visitar o discurso na íntegra no site do Vaticano para constatar que ali não se fala sobre a união homossexual. E qual a razão dessa deturpação?
Já se tornou uma obsessão - para não se falar de uma patrulha ideológica- buscar nas palavras de Bento XVI razões para atacá-lo. E quando não se encontram motivos, eles são inventados.
A verdade que o Ocidente secularizado já não suporta o cristianismo. O sonho da nossa sociedade atual é fabricar uma cultura dissociada de qualquer religião. Em outras palavras: reduzir a religião à esfera privada, a um conjunto de crendices que não seja válido para a coletividade.
Uma religião que não forje uma cultura para nada serve. O que hoje chamamos de cultura Ocidental foi construída sobre os fundamentos do cristianismo, sua fé, seus valores, sua ética. Por isso a Igreja é uma voz que tem o direito de falar e de ser ouvida na civilização a qual engendrou. Ninguém é obrigado a acatar o seu discurso, e pode também discordar; mas desde que o faça de maneira honesta.
Alguém poderia recorrer ao argumento da laicidade do estado. É preciso recordar: estado laico é aquele independente, no exercício do poder político e administrativo, de qualquer instituição religiosa. Portanto, não é aquele que sufoca a religião e lhe tem aversão. Um estado laico de verdade leva em consideração o arcabouço religioso do seu povo. No caso do Ocidente, esmagadoramente cristão.
Bento XVI em nome da Igreja continuará falando as verdades da fé. Por um razão simples: ele é o primeiro servo e anunciador da Palavra de Deus. E esta não pode jamais ser sufocada.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Basta à intolerância religiosa nos países muçulmanos!

Caríssimos leitores deste blog. Vejam: o pastor iraniano Yousef Nadarkhani, de 34 anos, foi investigado, e talvez tenha sido condenado ao enforcamento por ter se convertido ao cristianismo. As autoridades do Irã propuseram-lhe por três vezes renegar a fé cristã e retornar ao islamismo. Caso aceitasse, estaria livre da condenação. Mas Nadarkhani não aceitou. Isso no ano passado. Ninguém até hoje sabe o que aconteceu com ele, se já foi executado ou não.
Notícias como esta deixam claro que quando estão nos países ocidentais cristãos, os muçulmanos esbravejam e exigem respeito aos seus costumes em nossa tradição judaico-cristã. E assim acontece. Os muçulmanos crescem por essas plagas justamente por causa da liberdade religiosa. E assim deve ser em todos os lugares. Por outro lado, nos seus estados de maioria muçulmana, principalmente os cristãos são vítimas de diferentes tipos de perseguição: desde a proibição da construção de uma simples igreja, passando pela proibição de portar uma Bíblia, até a insana condenação àqueles que aceitam Jesus e sua religião, deixando de lado a fé do profeta Maomé.
A repetição de fatos como esse do pastor iraniano é culpa de um Ocidente sem brio, secularizado, que já não crê em nada. Aliás, crer, mas crer no politicamente correto, a forma mais perversa e nefasta de uma religião sem Deus e sem valores universais e objetivos. Se vivêssemos em uma cultura que se amasse e se orgulhasse de si, os nossos líderes exigiriam que os estados muçulmanos concedessem aos cristãos e aos ocidentais em geral o mesmo tratamento recebido pelos islâmicos em nossos países, sob pena de sanções econômicas duras. Basta à intolerância religiosa nos países muçulmanos!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fazei penitência

Da Carta aos Coríntios, de São Clemente I, papa (Séc. I)


Fixemos atentamente o olhar no sangue de Cristo e compreendamos quanto é precioso aos olhos de Deus seu Pai, esse sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da penitência.
Percorramos todas as épocas do mundo e verificaremos que em cada geração o Senhor concedeu o tempo favorável da penitência a todos os que a ele quiseram converter-se. Noé proclamou a penitência, e todos que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou a ruína aos ninivitas, mas eles, fazendo penitência de seus pecados, reconciliaram-se com Deus por suas súplicas e alcançaram a salvação, apesar de não pertencerem ao povo de Deus.
Inspirados pelo Espírito Santo, os ministros da graça de Deus pregaram a penitência. O próprio Senhor de todas as coisas também falou da penitência, com juramento: “pela minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador. Mas que mude de conduta (cf. Ez 33,11).; e acrescentou esta sentença cheia de bondade: “deixai de praticar o mal, ó casa de Israel! Dize aos filhos do meu povo: ainda que vossos pecados subam da terá até o céu, ainda que sejam mais vermelhos que o escarlate e mais negros que o cilício, se voltardes para mim de todo o coração e disserdes: ‘Pai’, eu vos tratarei como um povo santo e ouvirei as vossas súplicas” (cf. Is 1,18; 63,16; 64,7; Jr 3,4; 31,9).
Querendo levar à penitência todos aqueles que amava, o Senhor confirmou esta sentença com sua vontade todo-poderosa.
Obedeçamos, portanto, à sua excelsa e gloriosa vontade. Imploremos humildemente sua misericórdia e benignidade. Convertamo-nos sinceramente ao seu amor. Abandonemos as obras más, a discórdia e a inveja que conduzem à morte.
Sejamos humildes de coração, irmãos, evitando toda espécie de vaidade, soberba, insensatez e cólera, para cumprirmos o que está escrito. Pois diz o Espírito Santo: “não se orgulhe o sábio em sua sabedoria, nem o forte com sua força, nem o rico em sua riqueza; mas quem se gloria, glorie-se no Senhor, procurando-o e praticando o direito e a justiça (cf. Jr 9,22-23; 1Cor 1,31).
Antes de mais nada, lembremo-nos das palavras do Senhor Jesus, quando exortava à benevolência e á longanimidade: “sede misericordiosos, e alcançareis misericórdia; perdoai, e sereis perdoados; como tratardes o próximo, do mesmo modo sereis tratados; dai, e vos será dado; não julgueis, e não sereis julgados; fazei o bem, e ele também vos será feito; com a medida com que medirdes, vos será medido (cf. Mt 5,7; 6,14; 7,1.2).
Observemos fielmente este preceito e estes mandamentos, a fim de nos conduzirmos sempre, com toda humildade, na obediência às suas santas palavras. Pois eis o que diz o texto sagrado: “para quem hei de olhar, senão para o manso e humilde, que treme ao ouvir minhas palavras?” (cf. Is 66,2).
Tendo assim participado de muitas, grandes e gloriosas ações, corramos novamente para a meta que nos foi proposta desde o início: a paz. Fixemos atentamente nosso olhar no Pai e Criador do universo e desejemos com todo ardor seus dons de paz e seus magníficos e incomparáveis benefícios.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O grande retiro quaresmal

Amanhã, quarta-feira, na liturgia católica denominada de Cinzas, com um dia de jejum e abstinência de carne, inicia-se o santo tempo da quaresma.
A quaresma é o grande retiro anual dos cristãos católicos. A palavra retiro indica abster-se das atividades cotidianas e ir para algum lugar propício à oração e à reflexão. O retiro quaresmal, embora não o seja nesse sentido – visto a impossibilidade dos cristãos em sua totalidade fazê-lo -, é um momento favorável de avaliação da caminhada cristã em vista à celebração anual da Páscoa.
Durante os quarenta dias quaresmais, os cristãos dedicam-se de um modo mais intenso à oração, à leitura da Sagrada Escritura, aos exercícios penitenciais e ao amor fraterno.
E qual a finalidade dessa avaliação? No livro do Apocalipse, na carta dirigida à igreja de Éfeso (cf. Ap 2,1-7), o Cristo ressuscitado elogia a vida dos fiéis daquela comunidade. De um modo particular, destaca a sua perseverança. Contudo, faz uma reprovação: os efésios abandonaram o seu primeiro amor. É preciso rever onde caíram, convertesse e retomar a conduta de outrora.
A condenação da fé perseverante mas sem amor da igreja de Éfeso, recorda que a relação dos discípulos de Cristo com o seu mestre e Senhor deve ser constantemente alimentada, nutrida por uma amizade apaixonada por Ele. Recordemos que o cristianismo não é a religião das normas frias, mas do encontro com a pessoa de Jesus.
Muitos podem experimentar uma vida de fé, mas sem amor. É a fé sem obras, tão condenada pelo apóstolo são Tiago (cf. Tg 2,14-26). Nada vale confessar a fé, mas esta não inflamar a existência de caridade por Deus e pelo próximo. Nada vale dizer “creio” e não realizar as obras de Cristo, ele mesmo que disse: “quem crê em mim fará as obras que faço e fará até maiores do que elas...” (Jo 14,12).
Uma fé morta conduz à tibieza. Leva os discípulos a se acostumarem com Deus, como numa relação matrimonial fria e sem vida, cujo conformismo e a inércia impedem os crentes de encerrá-la.
O tempo da quaresma é tempo oportuno para rever a vida cristã. É um deixar-se guiar para o deserto, guiar-se para dentro de si e avaliar as disposições do coração. E sair de lá, do deserto, renovado, cada vez mais apaixonado por Cristo, pois somente experimenta as alegrias pascais quem retorna ao seu primeiro amor.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Palavra e a dureza do coração

A fé cristã fundamenta-se em uma certeza: Deus dirigiu uma palavra à humanidade. Portanto, o Deus professado pelos cristãos não é uma projeção humana, mas alguém que realmente se comunicou na história.
Mas o que Deus vem comunicar por meio de sua palavra? Ele vem revelar quem Ele é e qual o seu projeto para o homem. E nesse diálogo, o criador revela-se também salvador, pois, à medida que o ser humano vai descobrindo o coração de Deus, descobre também para que foi feito. O homem percebe a finalidade se sua existência.
À luz desse Deus, cada pessoa encontra o seu lugar na história do mundo. O encontro com a sua palavra conecta a história de cada indivíduo com a história coletiva. A palavra divina devolve coerência ao discurso humano sobre si mesmo e sobre os acontecimentos da vida.
No entanto, se de um lado Deus oferece uma palavra capaz de gerar um jeito novo de ver o mundo e de nele viver, não é menos verdade que essa palavra encontra quase sempre a resistência do coração humano.
No Salmo 94 (95), o salmista convida o povo, diante da voz de Deus, a não fechar o coração, a não reproduzir a atitude de seus antepassados no deserto. Lá os israelitas tentaram a Deus. Mesmo experimentando a força da palavra pela qual foram arrancados da escravidão, diante das dificuldades perguntavam: será que Deus, de fato, está conosco?
É a pergunta típica dos corações embrutecidos. Na história de Israel, tantos foram os profetas assassinados. Estes eram os porta-vozes de Deus; pessoas que experimentaram a palavra, foram nela imbuídos, e consagrados a proclamá-la, a recordar a necessidade constante de acolhê-la. Por isso era insuportável para alguns conviver com os profetas.
Era insustentável conviver com os profetas porque a palavra por eles portada revelava quem o povo era, deixava às claras suas feridas, suas limitações. Mostrava de maneira eloqüente o quanto ainda é preciso sair do casulo do conformismo de uma vida medíocre e dar voos altos rumo à eternidade.
Na plenitude dos tempos, a Palavra de Deus, fez-se carne e armou sua tenda entre os filhos de Adão (cf. Jo 1,14). Assim, acolhe a palavra quem acolhe o Cristo. Nele, no seu Evangelho, obtêm-se a verdadeira transfiguração dos pensamentos, palavras e ações. Nele, os corações de pedra são transformados em novos corações.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ele nos livra dos nossos fantasmas!

O vídeo a seguir é do compositor e cantor Pedro Abrunhosa, artista português de grande poesia naquilo que escreve. A música chama-se “Quem me leva os meus fantasmas”. Dentre os seus versos, destacam-se esses: “Quem me leva os meus fantasmas?/Quem me salva dessa espada?/ Quem me diz onde é a estrada?”. E por que postá-la aqui? Escutando essa música e esses versos que compõem o seu refrão, pensei nos medos que nos assaltam, e são tantos... principalmente o medo da solidão, da incompreensão, da falta de sentido. Também me lembrei do Senhor Jesus dirigindo-nos a sua palavra criadora, tocando o leproso, dando a visão ao cego, fazendo o mudo falar, permitindo o surdo ouvir a riqueza dos sons, fazendo uma releitura da vida daquela samaritana; enfim, exorcizando os fantasmas da nossa humanidade decadente. E o meu coração se encheu de alegria. Ele, o Verbo Eterno do Pai, só Ele afasta de nós os fantasmas acumulados na nossa história, salvando-nos da espada de viver no absurdo. Eis o vídeo:


Os crentes e o sofrimento

“Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra?” (cf. Jó 7,1). São as palavras contundentes de Jó. De fato, a vida humana é marcada por lutas diárias. Travamos batalhas cotidianas entre alegria e tristeza, prazer e dor, desilusões e esperanças.
E dentre todas as lutas, há uma sempre mais ferrenha: dar um sentido ao nosso sofrimento, seja ele qual for. Inevitavelmente, enfrentamos situações que nos machucam. E, nesse enfrentamento, há o perigo de perdermos a esperança, força motriz da verdadeira alegria de viver.
No tempo da redação do livro de Jó, dominava um pensamento religioso fundamentado na recompensa para este mundo. Em outras palavras, não se acreditava ainda na vida eterna. Deus premiava aquele que cresse com uma vida próspera e sem males por estas plagas mesmo. Mas a experiência concreta mostrava outra realidade, com muitos crentes sofrendo como outros mortais. E a história de Jó torna-se emblemática.
A vida real mostra que crentes ou não-crentes experimentam as mesmas agruras, os mesmos desafios. Quem crer não vive à margem das dificuldades. Crer não significa está imune à realidade. Ninguém está isento da experiência da dor.
No entanto, quem crer é chamado a dar um sentido ao seu sofrimento. E esse sentido é encontrado quando abrimos os ouvidos e o coração à palavra de Deus, que nos auxilia a situar a nossa história pessoal dentro de um projeto maior, o plano salvífico de Deus. Aí sim compreendemos que tudo tem um propósito.
Jó fez esse caminho. No final do seu livro, ele diz: “eu te conhecia só de ouvir, mas agora meus olhos te vêem (cf. 42,5). Ou seja: Para Jó, Deus deixou de ser uma ideia fria, uma coisa que simplesmente lhe oferecia benesses. Na experiência da dor, Jó descobre um Deus vivo cuja palavra pode ofertar um sentido capaz de restaurar uma vida aos farrapos.
No filho de Deus feito homem, essa palavra restauradora vem nos orientar de perto. No evangelho de Marcos, no episódio da cura da sogra de Pedro, o evangelista diz: ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se (cf. Mc 1,31). Deus não se compadeceu de longe. O Filho de Deus veio fazer a mesma experiência da luta diária da qual Jó falava. Ele se tornou próximo, segurou-nos pela mão e está sempre pronto a nos levantar, ajudando-nos a ter um novo olhar diante das dores inevitáveis da vida.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Drogas: o simplismo e as questões sérias

Anda circulando nos meios de comunicação uma nova campanha de combate ao uso do crack. Nada mais simplista. Nela, os pais são perguntados se já conversaram sobre determinados temas com seus filhos. A resposta é sempre sim. Mas, quando a questão é se já conversaram sobre o crack, os pais ficam encabulados e dizem não. E a propaganda se encerra dizendo que há saída para o uso do entorpecente.
A sensação deixada no final da peça publicitária é que basta simplesmente falar sobre os perigos das drogas em casa e... pronto, tudo resolvido! Com a disseminação da informação no meio cibernético em tempo real é de uma inocência pueril acreditar que nossos jovens não saibam dos perigos da dependência química.
As perguntas feitas aos pais na supracitada campanha deveriam ser as seguintes: vocês já se colocaram em oração - independente da religião, ou mesmo na ausência dela - junto com os seus filhos? Já abriram em família espaço para partilhar as angústias e dificuldades? Vocês lutam para construir um lar ou simplesmente vivem juntos como numa espécie de hotel?
São questões sérias, cuja vivência em família prepara os jovens para o enfrentamento dos desafios - vitórias e derrotas -, evitando seu ingresso no submundo das drogas.
Mas fazer referência a valores, a Deus ou a questões religiosas não entra em pauta na promoção das campanhas oficiais. É como se os cidadãos não tivessem dimensão religiosa. Agora, a pergunta que não pode calar: há como botar fé nesse tipo de publicidade?
Não adianta querer trabalhar a prevenção contra o uso de drogas sem abordar todas as dimensões do ser humano. Há uma música da banda Catedral intitulada “o sentido” cujos versos dizem: “em seu coração mora um abrigo, mas está vazio, corre perigo...”. Esse vazio é a lacuna deixada por uma sociedade secularizada, que ainda hoje trata laicidade como sinônimo de aversão à religião. Ninguém procura ou continua na dependência química por ausência de informação. Procura porque lhe falta algo, há uma ausência de sentido, cujo uso das drogas faz esquecê-la.Da mesma forma, o tratamento dos usuários químicos somente logrará melhores resultados com um apoio multidimensional, onde a dimensão espiritual não seja negligenciada. Pois, o homem que adoece é aquele que traz no coração a sede de infinito.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A liturgia é dom

Já escutei em diversas ocasiões as seguintes afirmações: “não gosto da liturgia daquele padre”, “a liturgia daquele padre é bem mais criativa”. São colocações lamentáveis por revelar a insuficiente compreensão do que seja, de fato, a liturgia.
A liturgia não é obra desse ou daquele sacerdote. A liturgia é obra de Cristo confiada à Igreja. Esta quando celebra os santos mistérios cumpre o mandato do Senhor de fazê-lo em sua memória. Assim, através dos tempos, a Igreja, por meio dos sagrados ritos, na potência do Espírito Santo, torna presente o único mistério pascal de Cristo.
Portanto, liturgia não se inventa. Ela se recebe, como recebemos a Palavra de Deus nas Sagradas Escrituras e na Tradição. Na liturgia adentra-se, com a devida reverência e contemplação, assim como devemos adentrar na Palavra de Deus e ruminá-la.
Lembremos: no início, a humanidade chamada a receber o dom da graça - tão bem apresentada na narrativa do Gênesis – quis usurpá-lo, tomando posse daquilo que cabia somente a Deus conceder.
Essa mesma tentação se reacende nos dias atuais. Alguns não se satisfazem em acolher com humildade a graça provinda nas rubricas litúrgicas, mas, acreditando-se adultos demais, querem manipular, deturpar o dom de Deus. Resultado: em algumas “liturgias” somente encontramos o velho e decadente homem, e não o homem novo, cujo paradigma é o Cristo imolado/ressuscitado em nossos altares.

Direitos humanos sim! (desde que seu governante não seja Fidel, Raul, Chávez...)

Compreender a inteligibilidade de seus discursos é uma tarefa árdua, mas a agenda de seu governo nem tanto, já que as opções falam por si mesmas. Na sua recente viagem a Cuba, a presidente Dilma Rousseff deixou claro que há dois tipos de violação dos direitos humanos, um intolerável, outro nem tanto, dependendo de quem os comete.

Por essas plagas, desde a época de seu padrinho, o ex-presidente Lula, vez por outra, cogita-se alguma coisa, tipo apuração, passar a limpo, a respeito da ditadura do militares. Se depender da ideologia que habita o Planalto desde de 2003, parece que essa época nunca vai repousar em paz. No entanto, lá fora, quando se trata da violação aos direitos humanos cometida pelos “hermanos” esquerdistas, aí , bem, vamos mudar de assunto... A presidente foi a Cuba tratar de outros assuntos.

O que se conclui dessa riquíssima viagem a um país de tamanha envergadura no cenário político e econômico mundial é que o ser humano tem direitos a serem preservados desde que não viva em um país governado por um Fidel, por um Lugo, por um Chávez.

Um dos elementos usados para verificar o nível de democracia de um estado é o respeito e a defesa dos direitos dos seus cidadãos, como a liberdade de expressão. Só fico imaginando- talvez seja melhor nem imaginar - como as grandes democracias nos vêem nessas situações vexatórias...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A perseverança gera a santidade





Meus irmãos, quando deveis passar por diversas provações, considerai isso motivo de grande alegria, por saberdes que a comprovação da fé produz em vós a perseverança. Mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma. (Tg 1, 2-4).

Essas palavras iniciais da Carta de Tiago aponta-nos uma realidade certa: não existe caminhada cristã sem provações. E elas são tantas... Cada um de nós já as enfrentou ou continua enfrentando-as. Não há vida cristã sem luta. Mas aqui reside justamente o segredo do cristianismo: na dureza da nossa realidade cotidiana, a fé é depurada, provada e comprovada, gerando em nós a perseverança.

No entanto, há algo mais. É preciso não somente permanecer crendo, apesar da adversidade, pois há tantos que, após os sofrimentos, ainda possuem fé, mas estão amargos e sem alegria. Necessário se faz que a perseverança nascida das batalhas do dia a dia faça-nos melhor, mais santos, mais parecidos com o próprio Cristo, paradigma do homem novo.

Bem-vindos ao meu blog!

Caros irmãos e amigos visitantes!
Pensei nesse espaço como um meio primeiramente de evangelização. E acredito que uma das formas de anunciar a boa-nova é apresentar Jesus na fidelidade às Escrituras Sagradas e à Tradição da Igreja. E é justamente esse Jesus que vocês encontrarão nesse espaço: o Jesus revelado nas Escrituras e crido e anunciado pela Igreja. Mas esse blog também tem uma segunda finalidade. Também creio que toda experiência cristã deve nos convidar a fazer uma leitura da realidade a partir do evangelho. Portanto, aqui também será um espaço de reflexões diversas, sobre temas diversos. Serão opiniões pessoais, fruto de minha caminhada humana, como cidadão e crente. Não são a última palavra, mas pode ser um ponto de partida para uma sadia partilha.
Sejam Bem-vindos,
Deus lhes abençoe!