terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A liturgia é dom

Já escutei em diversas ocasiões as seguintes afirmações: “não gosto da liturgia daquele padre”, “a liturgia daquele padre é bem mais criativa”. São colocações lamentáveis por revelar a insuficiente compreensão do que seja, de fato, a liturgia.
A liturgia não é obra desse ou daquele sacerdote. A liturgia é obra de Cristo confiada à Igreja. Esta quando celebra os santos mistérios cumpre o mandato do Senhor de fazê-lo em sua memória. Assim, através dos tempos, a Igreja, por meio dos sagrados ritos, na potência do Espírito Santo, torna presente o único mistério pascal de Cristo.
Portanto, liturgia não se inventa. Ela se recebe, como recebemos a Palavra de Deus nas Sagradas Escrituras e na Tradição. Na liturgia adentra-se, com a devida reverência e contemplação, assim como devemos adentrar na Palavra de Deus e ruminá-la.
Lembremos: no início, a humanidade chamada a receber o dom da graça - tão bem apresentada na narrativa do Gênesis – quis usurpá-lo, tomando posse daquilo que cabia somente a Deus conceder.
Essa mesma tentação se reacende nos dias atuais. Alguns não se satisfazem em acolher com humildade a graça provinda nas rubricas litúrgicas, mas, acreditando-se adultos demais, querem manipular, deturpar o dom de Deus. Resultado: em algumas “liturgias” somente encontramos o velho e decadente homem, e não o homem novo, cujo paradigma é o Cristo imolado/ressuscitado em nossos altares.

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