quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Corpos para o Senhor

Sempre que nos deparamos anualmente com programas televisivos como o Big Brother Brasil é inevitável fazermos uma pergunta, para muitos incômoda ou desnecessária. Qual a dignidade do ser humano? Especificamente, qual o valor de seu corpo, veículo da manifestação dos seus sentimentos e pensamentos mais profundos? A fé cristã aponta-nos um caminho...
O cristianismo não se trata de um cumprimento frio de normas exteriores. A experiência com Cristo, nosso encontro pessoal e único com Ele, deve gerar em nós um modo de ser, um ethos.
Expressão privilegiada desse ethos cristão é a nossa corporalidade. Entendemos corporalidade aqui como toda dimensão humana expressa em nosso corpo material. Para os cristãos essa corporalidade é para o Senhor e não para a fornicação (cf. 1Cor 6,13).
E o que é a fornicação? São todos os atos contrários ao projeto de Deus revelado por Cristo no âmbito da afetividade e da sexualidade. E são contrários a tal projeto porque a fornicação desfigura no homem a sua dignidade, a imagem divina nele inscrita.
Olhemos as pessoas que nos circundam, contemplemos a beleza divina expressa na simetria de seus corpos. São esses corpos instrumentos pelos quais expressamos nosso amor, nossa dor, nossa gratidão. Através do corpo, tornamo-nos próximos um dos outros. Assumindo um corpo, Deus nos redimiu.
No entanto, quanta desfiguração do humano! Quanta baixeza em nome de uma liberdade sexual! O corpo que deveria ser meio de crescimento humano, torna-se objeto de prazer.
Uma das heranças da fé católica para a nossa civilização ocidental foi o conceito de pessoa. Das reflexões sobre a Santíssima Trindade, nos primeiros séculos, brotou a ideia de pessoa e sua dignidade. E isso foi uma novidade na antiguidade, carente de tais conceitos. E o que vemos hoje? O retorno à antiguidade de outrora, pagã e desprovida do mínimo de humanidade.
Para nós cristãos o corpo expressa a beleza divina. E, pelo batismo, o corpo passa a ser não somente expressão, mas habitação da beleza divina, habitação do Espírito Santo de Deus. Talvez tais reflexões para alguns pareçam anacrônicas. Mas paciência. Os cristãos não podem deixar de recordar para si mesmos e para o mundo: os nossos corpos são para o Senhor e não para a fornicação; somente assim salvaremos a nossa própria humanidade.

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