Amanhã, quarta-feira, na liturgia católica denominada de Cinzas, com um dia de jejum e abstinência de carne, inicia-se o santo tempo da quaresma.A quaresma é o grande retiro anual dos cristãos católicos. A palavra retiro indica abster-se das atividades cotidianas e ir para algum lugar propício à oração e à reflexão. O retiro quaresmal, embora não o seja nesse sentido – visto a impossibilidade dos cristãos em sua totalidade fazê-lo -, é um momento favorável de avaliação da caminhada cristã em vista à celebração anual da Páscoa.
Durante os quarenta dias quaresmais, os cristãos dedicam-se de um modo mais intenso à oração, à leitura da Sagrada Escritura, aos exercícios penitenciais e ao amor fraterno.
E qual a finalidade dessa avaliação? No livro do Apocalipse, na carta dirigida à igreja de Éfeso (cf. Ap 2,1-7), o Cristo ressuscitado elogia a vida dos fiéis daquela comunidade. De um modo particular, destaca a sua perseverança. Contudo, faz uma reprovação: os efésios abandonaram o seu primeiro amor. É preciso rever onde caíram, convertesse e retomar a conduta de outrora.
A condenação da fé perseverante mas sem amor da igreja de Éfeso, recorda que a relação dos discípulos de Cristo com o seu mestre e Senhor deve ser constantemente alimentada, nutrida por uma amizade apaixonada por Ele. Recordemos que o cristianismo não é a religião das normas frias, mas do encontro com a pessoa de Jesus.
Muitos podem experimentar uma vida de fé, mas sem amor. É a fé sem obras, tão condenada pelo apóstolo são Tiago (cf. Tg 2,14-26). Nada vale confessar a fé, mas esta não inflamar a existência de caridade por Deus e pelo próximo. Nada vale dizer “creio” e não realizar as obras de Cristo, ele mesmo que disse: “quem crê em mim fará as obras que faço e fará até maiores do que elas...” (Jo 14,12).
Uma fé morta conduz à tibieza. Leva os discípulos a se acostumarem com Deus, como numa relação matrimonial fria e sem vida, cujo conformismo e a inércia impedem os crentes de encerrá-la.
O tempo da quaresma é tempo oportuno para rever a vida cristã. É um deixar-se guiar para o deserto, guiar-se para dentro de si e avaliar as disposições do coração. E sair de lá, do deserto, renovado, cada vez mais apaixonado por Cristo, pois somente experimenta as alegrias pascais quem retorna ao seu primeiro amor.
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