sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Palavra e a dureza do coração

A fé cristã fundamenta-se em uma certeza: Deus dirigiu uma palavra à humanidade. Portanto, o Deus professado pelos cristãos não é uma projeção humana, mas alguém que realmente se comunicou na história.
Mas o que Deus vem comunicar por meio de sua palavra? Ele vem revelar quem Ele é e qual o seu projeto para o homem. E nesse diálogo, o criador revela-se também salvador, pois, à medida que o ser humano vai descobrindo o coração de Deus, descobre também para que foi feito. O homem percebe a finalidade se sua existência.
À luz desse Deus, cada pessoa encontra o seu lugar na história do mundo. O encontro com a sua palavra conecta a história de cada indivíduo com a história coletiva. A palavra divina devolve coerência ao discurso humano sobre si mesmo e sobre os acontecimentos da vida.
No entanto, se de um lado Deus oferece uma palavra capaz de gerar um jeito novo de ver o mundo e de nele viver, não é menos verdade que essa palavra encontra quase sempre a resistência do coração humano.
No Salmo 94 (95), o salmista convida o povo, diante da voz de Deus, a não fechar o coração, a não reproduzir a atitude de seus antepassados no deserto. Lá os israelitas tentaram a Deus. Mesmo experimentando a força da palavra pela qual foram arrancados da escravidão, diante das dificuldades perguntavam: será que Deus, de fato, está conosco?
É a pergunta típica dos corações embrutecidos. Na história de Israel, tantos foram os profetas assassinados. Estes eram os porta-vozes de Deus; pessoas que experimentaram a palavra, foram nela imbuídos, e consagrados a proclamá-la, a recordar a necessidade constante de acolhê-la. Por isso era insuportável para alguns conviver com os profetas.
Era insustentável conviver com os profetas porque a palavra por eles portada revelava quem o povo era, deixava às claras suas feridas, suas limitações. Mostrava de maneira eloqüente o quanto ainda é preciso sair do casulo do conformismo de uma vida medíocre e dar voos altos rumo à eternidade.
Na plenitude dos tempos, a Palavra de Deus, fez-se carne e armou sua tenda entre os filhos de Adão (cf. Jo 1,14). Assim, acolhe a palavra quem acolhe o Cristo. Nele, no seu Evangelho, obtêm-se a verdadeira transfiguração dos pensamentos, palavras e ações. Nele, os corações de pedra são transformados em novos corações.


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