quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Papa e a cultura sem religião

No já distante dia 09 de janeiro do ano em curso, na alocução dirigida ao corpo diplomático na Santa Sé, o Papa Bento XVI reafirmou que a família fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher não se trata de uma simples convenção social, mas é a célula fundamental de toda sociedade. E que toda política que atenta contra a família ameaça a dignidade e o futuro da humanidade.
Não há nada de novo nas palavras do Sumo Pontífice. No entanto, foi noticiado pela agência Reuters e reproduzido nos demais veículos de comunicação que o Papa haveria dito que o casamento homossexual era uma das várias ameaças à família, pondo em risco o futuro da humanidade.
Não é preciso dizer o quanto as palavras do Santo Padre foram distorcidas e manipuladas. Basta visitar o discurso na íntegra no site do Vaticano para constatar que ali não se fala sobre a união homossexual. E qual a razão dessa deturpação?
Já se tornou uma obsessão - para não se falar de uma patrulha ideológica- buscar nas palavras de Bento XVI razões para atacá-lo. E quando não se encontram motivos, eles são inventados.
A verdade que o Ocidente secularizado já não suporta o cristianismo. O sonho da nossa sociedade atual é fabricar uma cultura dissociada de qualquer religião. Em outras palavras: reduzir a religião à esfera privada, a um conjunto de crendices que não seja válido para a coletividade.
Uma religião que não forje uma cultura para nada serve. O que hoje chamamos de cultura Ocidental foi construída sobre os fundamentos do cristianismo, sua fé, seus valores, sua ética. Por isso a Igreja é uma voz que tem o direito de falar e de ser ouvida na civilização a qual engendrou. Ninguém é obrigado a acatar o seu discurso, e pode também discordar; mas desde que o faça de maneira honesta.
Alguém poderia recorrer ao argumento da laicidade do estado. É preciso recordar: estado laico é aquele independente, no exercício do poder político e administrativo, de qualquer instituição religiosa. Portanto, não é aquele que sufoca a religião e lhe tem aversão. Um estado laico de verdade leva em consideração o arcabouço religioso do seu povo. No caso do Ocidente, esmagadoramente cristão.
Bento XVI em nome da Igreja continuará falando as verdades da fé. Por um razão simples: ele é o primeiro servo e anunciador da Palavra de Deus. E esta não pode jamais ser sufocada.

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