sexta-feira, 2 de março de 2012

É preciso revisitar o Ocidente

Com certa frequência, aparecem, nos diversos veículos de comunicação, matérias sobre a cultura dos países orientais. Nestas, observa-se certo fascínio dos repórteres e apresentadores, que, não poucas vezes, fazem um contraponto com a cultura Ocidental. A primeira seria mais equilibrada, mais atenta ao interior do ser humano. A segunda seria exageradamente racional.
E lastimável a ignorância recrudescente da civilização ocidental sobre si mesma. Dos intelectuais aos mais incautos cidadãos, há um desconhecimento das bases da própria cultura. E isso tem conseqüências graves: um povo que não mais sabe de onde veio, quais as suas referências, encanta-se com qualquer bobagem.
Se o mundo caminha nesse progresso - descontada as mazelas de sempre -, deve-se ao espírito empreendedor e visionário do homem ocidental, impregnado de ideias e valores basilares ao desenvolvimento humano.
E como esse espírito é possível? Os valores constituintes do ethos da cultura do sol poente encontram os seus alicerces na cultura e religião judaicas. Em meio aos mitos politeístas dos povos vizinhos, Israel vai alcançar uma visão do homem fundamentada na sua relação livre com Deus. A dignidade do ser humano reside na sua capacidade inata de livremente assumir as suas escolhas. Por isso o tempo para os semitas não é cíclico, condenando os homens a viverem os mesmo erros, mas uma realidade que caminha rumo a um ponto final, onde o ser humano constrói, na liberdade, sua existência de uma maneira sempre nova.
Assumidos pelo cristianismo e levados ao seu pleno significado, esses valores irão se encontrar com o mundo helênico, berço da filosofia. Há, então, o encontro entre valores cristãos e pensamento grego. Esse enlace dura toda a idade Média, enquanto vigorar a cristandade.
Com a revolução francesa - cujo lema faz ecoar valores judaico-cristãos, liberdade, igualdade, fraternidade- e o iluminismo, afirma-se a autonomia da razão. Embora com prejuízo do preconceito em relação à história anterior, as ideias iluministas nada mais são do que a secularização dos valores enraizados no Ocidente.
Se hoje o Ocidente é a cultura dos direitos inalienáveis da pessoa humana, da democracia, da liberdade, deve a esse caminho. Revisitá-lo é fundamental. Caso contrário, ficaremos encantados com os mitos orientais, superados há milênios pelo povo judeu. É melhor enlevar-se com uma cultura cuja divindade respeita a razão humana, estabelecendo com ela um diálogo livre e impulsionando-a para um futuro sempre promissor.

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